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PT281+ Ultramarathon, a ousadia da distância

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A Badwater, no Vale da Morte, EUA, e a BR135+, no Brasil, foram a inspiração e estão na génese da PT281+. Sendo que as duas últimas têm a mesma distância. Confuso? Não: a BR 135+ é uma ultramaratona que vai na sua 11ª edição. Até agora, tinha 135 milhas, ou seja, 217 km. Este ano, cresceu para 174,22 milhas – 281 km. Porque estava a ficar demasiado rápida e era arrumada em 24 horas pelos primeiros classificados. 135 milhas ou 217km é também a distância da Badwater, a famosa prova que decorre sob temperaturas que passam os 40 graus e que já foi ganha pelo português Carlos Sá.

A portuguesa, que conta com o apoio do brasileiro Mário Lacerda, seguiu a orientação: a PT281+ vai acontecer na Beira Interior, de 20 a 23 de agosto. Além de estrear a marca, estreia a quilometragem. “É a maior distância” de corrida seguida alguma vez posta à prova no país, diz-nos Paulo Alexandre, da Horizontes, que também está por detrás da prova seguida mais longa que já se fazia em Portugal, o Oh Meu Deus, 160 km na Serra da Estrela.

Sem limite de inscrições, para já – “Não é uma prova para massas” –, a proposta é seguir caminhos de história. Daí o “mais”. No Brasil, o mais é da união de povos. Por cá será o da cruz, dos descobrimentos. Parte, como Pedro Álvares em busca do Brasil, da vila de Belmonte. Atravessa aldeias históricas à roda do Sabugal, de Penamacor, de Idanha-a-Nova, passa Castelo Branco e termina em Proença-a-Nova. “Maraturismo”, diz a organização.

Desafio: testar os limites. A solo, ou com um, dois ou três companheiros de equipa. E a garantia de, no mínimo, se correr com o tempo quente e seco do verão beirão, ao longo de 281 km com 9300 metros de desnível positivo. A prova conta com nove bases de apoio, onde os atletas poderão receber ajuda de terceiros e terão alimentação e banhos à disposição.

Nomes como Jorge Mimoso (habitual do Tor des Géants, 330 km no Vale da Aosta, Alpes italianos), ou João Oliveira (vencedor dos 217 km da Spartathlon de 2013, na Grécia) já disseram presente. As inscrições estão abertas e custam 210 euros.

O futuro? Crescer. “O Oh Meu Deus já tem 300 inscritos para a edição de 2015. Vinte são franceses. É por aí que se cresce”, diz Paulo Alexandre, que gostaria de ver o conceito 281+ replicado num circuito mundial.

Ivete Carneiro

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