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Um fim de semana de (grandes) resultados

sarametanova

O fim de semana ficou marcado, sem sombra de dúvida, pelas mulheres. Por cá e lá fora. E o maior destaque é, sem dúvida, o merecido por Sara Moreira, em Nova Iorque.

Sara disse anteontem, depois de subir ao pódio da mítica Maratona de Nova Iorque, que estava a viver “um momento indescritível”. Podemos com segurança dizer-lhe de volta que Portugal está a viver um momento indescritível. A atleta tirsense foi a terceira classificada na sua estreia na distância, com um tempo de 2:26:00. À chegada, cobriu-se com a bandeira nacional e ofereceu-nos o mais perfeito ar de felicidade.

“Durante a prova, passa-nos muita coisa pela cabeça. Mas quando chegas ao fim, sentes-te uma heroína. Pensas, acabou, finalmente, e é uma sensação indescritível. Queria muito cruzar a meta e pegar na minha bandeira, poder agradecer ao público”,contou a atleta de 28 anos, recém contratada pelo Sporting, citada pela Lusa.

“Tive muito medo antes da partida porque estava muito vento. Assim que partimos, não pensamos mais nisso. Não queria arriscar muito nos primeiros 20, 25 quilómetros. Acabei por tomar a iniciativa da corrida, uma vez que ninguém o fazia e eu não queria deixar a corrida ir muito lenta. Sabia os ritmos a que tinha de andar e achava que ia mais lento do que podia. Arrisquei e impus eu o ritmo”. Ao décimo quilómetro, Sara já estava no grupo frente. “Olhava para o relógio, via o meu pulso e estava bem, não havia motivo para abrandar o ritmo”. Na passagem da meia maratona, percebeu que estava longe do objetivo inicial de terminar nas 2.27 horas e voltou a atacar, até às primeiras dificuldades, no 30º quilómetro, que a fizeram desligar-se do grupo da frente. E pensou: “Não. Eu gostava de ficar nas cinco, tenho de ir com elas”. Aos 35, as duas primeiras destacaram-se e Sara, em quinto, foi atrás. “Arrisquei bem e fiquei em terceiro lugar. Nesse momento acreditei que podia chegar ao pódio. A partir daí foi gerir até ao final, dar tudo para não ser ultrapassada, visto que tinha uma atleta em quarto lugar muito próxima. Nos últimos quatro quilómetros, aí sim, foi penoso, foi difícil, sobretudo gerir a ansiedade de chegar ao fim em terceiro”. No final, ofereceu a vitória ao filho Guilherme, que completou um ano no sábado. “Senti que tinha de correr bem, para ele, um dia mais tarde, perceber que a mãe não esteve no aniversário dele por um motivo muito especial, correr uma maratona, e que acabou por correr de uma forma espetacular e sair vitoriosa”.

A portuguesa Dulce Félix conseguiria, cerca de dez minutos depois, classificar-se em 12ª, numa prova ganha, no feminino, pelas quenianas Mary Keitany (2:25:07) e Jemima Sumgong (2:25:10) e, no masculino, pelo queniano Wilson Kipsang (2:10:59), que travou uma luta renhida ao longo de vários quilómetros com o etíope Lelisa Desisa Benti (2:11:06).

Por cá

Em Portugal também se bateu um recorde assinalável: 4042 pessoas cortaram a meta da 11ª Maratona do Porto, muito longe das cerca de 2900 que o tinham feito em Lisboa, em Outubro. A prova não foi das mais rápidas, mas contou com outra surpresa. Os pódios tiveram portugueses. Rui Pedro Silva garantiu o segundo lugar com 2:13:54, 44 segundos após o etíopee Workneh Fikre Serbessa. E a portuguesa Luísa Oliveira terminou a sua primeira maratona em 2:40:33, também em segundo lugar, atrás da etíope Marta Tigabea Mekonen (2:31:54).Nos dez primeiros lugares femininos ficaram sete portuguesas.

Não podíamos deixar de referir as prestações dos maratonistas estreantes de que demos nota nos dias antes da prova. Alexandre Dias, doente com esclerose múltipla que começou a correr para contrariar a doença, conseguiu o extraordinário feito de concluir a sua primeira maratona em 3.48 horas, envergando a camisola vermelha da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múlitpla. E Paulo Ferreira, que se zangou com o sedentarismo em Maio passado e começou a correr contra o cigarro, conseguiu em apenas seis meses correr a sua primeira maratona. Cortou a meta às 4.46 horas de prova.

 

Mas não só da distância rainha se fez o fim de semana. Em Lisboa, a 2ª Corrida ISCTE-IUL, contabilizou 567 finishers nos 10 km. Nos primeiros lugares ficaram Luís Batista (32:28) e Milene Santos (41:14). Em Pombal, a 21ª Tripla Légua de Vermoil, um corrida de 15 km com 190 participantes, foi ganha por Filipe Rosa, com um tempo de 48:59, e por Joana Monteiro (59:35).

IC

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