O português que vai desafiar a Diagonal dos Loucos

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Foi a ilha que atraiu Pedro Conde. Ou antes o desconhecido. Nada estava previsto, a agenda apontava férias bem mais a Norte, no Atlântico, noutra ilha talvez demasiado próxima, mas com uma prova apelativa, o Tenerife Bluetrail. Mas ouviu falar, procurou imagens e descobriu a Réunion, o Índico e o desafio que, só pelo nome, era impossível ignorar: la Diagonale des Fous – a Diagonal dos Loucos.

“A prova já tinha as inscrições fechadas. Combinei com a família que, se conseguisse a inscrição iríamos para Réunion”. Conseguiu e decidiu: o destino seria o Oceano Índico. “Opto sempre que possível viajar em família e conciliar férias com corridas. Neste caso não podia fugir à regra”. Até para ter sorrisos de apoio ao longo do trail. Pedro Conde, 42 anos, torna-se, assim, o segundo português a alinhar num dos maiores desafios do trail mundial e arranca para 172km com 9996 metros de desnível positivo às 22.30 horas locais da próxima quinta-feira. Em 2010, António Valentim Bastos cortou a meta 42:18:56 depois de ter partido, em 275ª posição.

“Pelo que tive conhecimento já aqui na ilha, a prova é muito dura, porque junta as longas e íngremes subidas e descidas a uma quantidade enorme de degraus, zonas muito técnicas e muita pedra vulcânica, mas também pelo muito calor nas zonas baixas e frio e nevoeiro nas altas. Vamos andar muito tempo acima dos 2000 metros”, com subida a perto de 2500, no Piton des Neiges, ponto que culmina a ilha da Réunion.

Atleta de trail há escassos dois anos, Pedro Conde começou no andebol desde muito novo e fez carreira e de onde saiu, aos 38 anos, para as corridas de estrada. Até experimentar os trilhos de montanha e largar ao asfalto. Dono de uma empresa de contabilidade e auditoria, Pedro associou-se há ano e meio ao clube de trail Desnível Positivo e, pouco depois, à Armada Portuguesa do Trail, treinada por Paulo Pires e onde estão ultramaratonistas como Carlos Sá e Armando Teixeira. “Conseguiu levar-me a patamares que achava impossíveis”: no ano passado esteve nos 100km  dos Cavalls del Vent (Pirinéus) e, este ano, começou os 170km do ehunmilak (País Basco), acabando por desistir aos 80km devido a uma lesão. Em agosto, fez o CCC (101km) do Ultra Tail du Mont Blanc, nos Alpes.

O acompanhamento de Pedro Conde na 22ª edição da Diagnole des Fous faz-se por aqui.

Ivete Carneiro

(Foto Miro Cerqueira)

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