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“Na Maia fez-se trail de laboratório”

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À partida, Maia e trilhos de montanha seriam palavras impossíveis de associar. Nada de mais errado. O Trail Terras do Lidador provou que é possível desenhar montanha técnica em pequenas colinas.

“Isto aqui é laboratório de trail”. Ou a natureza possível transformada num intrincado novelo de trilhos. Ali são os montes baixos que partem do Parque Urbano do Avioso, na Maia, onde seria impensável ver quatro centenas de pessoas a correr como se de uma serra se tratasse. Mas foi possível. E foi bonito.

A ideia foi da Confraria Trotamontes, cujo mentor, José Moutinho, é maiato. Num ano em que a Maia é capital europeia do Desporto, não podia faltar uma prova desta modalidade que parece multiplicar adeptos de semana para semana. José Moutinho propôs à autarquia, obteve luz verde, agarrou na equipa experiente que o ladeia (são os fazedores do belíssimo Trail da Serra da Freita e dos trails do Jesuíta, em Santo Tirso), transformou uns pares de colinas maiatas numa improvável montanha e chamou-lhe Trail Terras do Lidador.

E como se faz isso? “Laboratório”. Foi a palavra que o próprio José Moutinho nos atirou enquanto cumprimentava cada um dos atletas que ia cortando a meta, sorriso estatelado na face e a agradecer o paraíso de repente descoberto. Foram 18 km de trilhos, muitos deles pensados e abertos para o efeito, outros limpos e melhorados, numa perfeição quase natural, em slalom entre vegetação insuspeita. E mesmo as encostas semeadas do inefável eucalipto foram transformada numa espécie de pista de bobsleigh para sapatilhas, num praticamente constante sobe e desce moderado.

A receita, contou-nos Flor Madureira, da organização, visava atrair curiosos habituados à estrada. E parece ter conseguido. Daí a opção por um percurso curto e com desnível mínimo (cerca de 500 metros positivos), de transição, ainda que técnico quanto baste.

A prova foi ganha por Bruno Silva, que percorreu o “carrossel”, como alguém lhe chamou, em 1:28:52. Entre as mulheres reinou Alice Lopes, com 1:48:51 de prova. Para o ano há mais?

Ivete Carneiro

(Fotos Miguel Martins / Corredor de Montanha)

1 comentário

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  • Paulo Costa

    21.10.2014

    Bom artigo !
    Que traduz bem o circuito e as suas características!
    Muito bem organizado! Como participante endoço os meus parabéns á trotamontes , com um abraço ao Miguel e á Flor Madireira!
    Para mim não foi um circuito fácil , mas foi um prazer… A repetir seguramente!
    Como alguém disse, P que interessa é “participar, divertir e acabar”
    Bem haja ! Este espírito !