Corrida Peregrina: 36 horas do Porto a Fátima

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Foram pouco mais de 36 horas, mas muitas delas foram “dolorosas”. A professora Ana Cristina Teixeira chegou a Fátima às 17.40 horas deste domingo, ao cabo de 215 km e dia e meio a correr. Partiu na madrugada de sábado do Porto, em nome da fé pessoal e da solidariedade. E correu a “Corrida Peregrina”, apesar do temporal, apesar do frio da noite, apesar do cansaço. Objetivo: angariar apoios para bolsas de estudo para alunos carenciados da Escola Joaquim de Araújo, em Penafiel, onde Ana ensina Biologia.

Com 48 anos, atleta há quase duas décadas e ultramaratonista desde 2008, Ana Cristina já vai na segunda “Corrida Peregrina”. Em Maio de 2012, noutra corrida a Fátima, conseguiu angariar 1700 euros, entregues a alunos sem direito à bolsa da ação social escolar, sob a forma de óculos e próteses dentárias. Agora, além de acordar as pessoas para as condições de “pobreza extrema” em que vivem alguns dos seus alunos, quis ajudá-los angariando fundos para bolsas que os impeçam de abandonar a escola, que lhes permitam, até, prosseguir os estudos um pouco mais adiante. Com o apoio do Rotary Club de Penafiel e da Câmara de Penafiel, que divulgaram a ida a Fátima, a “Corrida peregrina” já tinha na conta 1500 euros antes de arrancar para a viagem. As contas do que terá rendido a iniciativa serão feitas depois, cabendo aos rotários elaborar o perfil dos alunos mais necessitados. E quanto mais não seja, Ana congratula-se por já ter posto “cabeças a pensar”.

Em 2012, fez a Corrida Peregrina em 48 horas, com três horas de paragem. Desta vez, queria encurtar o tempo de viagem. Conseguiu, apesar das condições meteorológicas. Foi pela costa para fugir à Nacional 1. “Até Cantanhede correu tudo muito bem, parei um pouco para jantar. Tentei descansar mas não consegui. Fiz 40 km noturnos muito dolorosos, com temporal”, contou-nos a professora. Chegada a Soure, “desligou” durante três horas e recuperou do frio e do cansaço mental de uma rota fácil mas “com retas intermináveis, desgastantes”. Sentiu apenas dores articulares nos pés nas primeiras horas, que resolveu com gelo a cada paragem, com apoio do marido Artur, que a acompanhava de carro.

Na Caranguejeira, acabaria surpreendida pelo diretor da Escola Joaquim de Araújo. E voltaria a sê-lo em Fátima. “Filmou a minha chegada”, diz-nos, emocionada. “Levava uma bandeira de Portugal na mão assinada por toda a gente da escola”.

Ivete Carneiro

2 comentários

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  • José Silva

    14.10.2014

    A senhora tem coragem, sim! Mas também gosta de ser conhecida.

  • josealbino chagas

    12.10.2014

    uma coragem,do caraças! porque é que esta senhora,não participa nas Maratonas..