Fenómeno da corrida vale 108 milhões por ano

corridageral696
Um cidadão português do enorme e crescente pelotão de corredores amadores gasta, em média, 195 euros por ano em calçado e vestuário. A estimativa é feita por uma equipa de investigadores do Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM), que avalia o valor de mercado envolvendo o fenómeno em 108 milhões de euros.

As conclusões assentam num inquérito com 583 respostas validadas, numa amostra com características semelhantes às do estudo da TGI/Marktest que calculou em 1,45 milhão o número de pessoas a correr em Portugal. Dessas, 460 mil fazem-no com regularidade. A corrida é já o quarto desporto mais praticado em Portugal, diz Mafalda Ferreira, psicóloga, especialista em comportamento do consumidor e coordenadora do estudo do IPAM.

Os investigadores quiseram perceber motivações, preferências e os mercados gerados com este fenómeno. E concluiu que 67% dos corredores fazem-no em meios urbanos e 19% em trilhos. Os restantes dividem-se entre o ginásio e a pista. A maioria (55%) pratica este desporto duas a três vezes por semanas e 30% fá-lo de quatro a seis vezes. Mafalda Ferreira justifica este crescimento com o facto de ser uma prática desportiva mais em conta do que o ginásio, mas não só. Trata-se de um desporto que se adapta aos gostos e à disponibilidade dos praticantes, porque não impõe horários.

Quanto a motivações, “o equilíbrio emocional e o bem estar” vêm em primeiro lugar, seguidos da saúde e, só depois, da manutenção da forma física. A competição parece ser o que menos atrai os corredores.

Mas a conclusão menos esperada é a do valor do mercado da corrida. Cada corredor gasta, em média, 118 euros por ano no calçado, que escolhe em função do conforto, da durabilidade e da leveza, preferindo duas grandes marcas mundiais (70%) às menos onerosas marcas brancas. Quanto a vestuário, despende 77 euros, escolhendo-o pelas mesmas razões, mas indo também para a marca branca.

“Calculando que os corredores não regulares gastem 20% destes valores”, Mafalda Ferreira conclui que o valor de mercado esteja nos 108 milhões de euros por ano. E isto sem contar com os gastos com inscrições em provas, tecnologia, suplementos alimentares e outros produtos.

Ivete Carneiro

1 comentário

Leave a Reply

Faça login para comentar

  • Jorge C.

    3.10.2014

    Onde podemos ter acesso aos resultados dos inquéritos ou conclusões?
    Este estudo interessa-me!!!

    Obrigado