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Gerês prepara a mais dura maratona

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Prometem que será a maratona mais dura do mundo porque desafia os participantes a vencer um desnível positivo de 2000 metros, associado a um desnível negativo de quase tanto. Há outras sensivelmente tão duras de cumprir, nos EUA e no Peru, mas esta será provavelmente a mais dura da Europa, concedemos. E acontece no dia 30 de novembro aqui em Portugal. No Gerês.

Os habituados à corrida de montanha dirão que 4000 metros de acumulado não é o fim do mundo. A diferença é que a Maratona do Gerês é uma maratona de estrada, categoria na qual, em princípio, não há paragens, nem oscilações de ritmo que permitam recuperar fôlegos, ao contrário do que acontece nos trilhos.

A ideia nasceu na mente da equipa do ultramaratonista Carlos Sá, durante a preparação dos trilhos para o Gerês Trail Adventure, prova organizada em Abril. “Temos a perceção de que há muita gente a correr que, por um ou outro motivo, não faz trail. Uma maratona de estrada é algo muito desafiante. Fazer uma prova de trail, para muita gente, é ainda mais desafiante. Existia uma espécie de lacuna: associar uma prova de velocidade, de estrada, a algum desnível. Surgiu um meio termo: fazer uma maratona de estrada, mas com desnível, num terreno montanhoso, mas sendo na mesma uma maratona de estrada”, explicou ao JN Running Rui Ribeiro, da Carlos Sá Nature Events.

A “paixão pelo Gerês” fez o resto e a prova de 42km acabou assim desenhada: arranca nas pontes do Rio Caldo, em terras de Bouro, segue pela Vila do Gerês em direção a Leonte, atravessando a Mata da Albergaria por uma estrada de terra batida até Campo de Gerês, passando depois junto ao bloco granítico que é a Calcedónia para descer novamente em direção à meta, na Vila do Gerês, “com uma vista deslumbrante sobre a barragem da Caniçada”.

Os menos arrojados poderão tentar a meia maratona, com 1000 de desnível positivo, os 12 km (400m D+) ou os 7km (300m D+). Mas a grande novidade está na possibilidade de se fazer a maratona em estafeta, com equipas de três pessoas que podem, assim, dividir os esforço consoante as capacidades. “Cada atleta faz sensivelmente 14 km. Os primeiros têm cerca de mil metros de desnível positivo, o segundo segmento é mais equilibrado e o terceiro tem mais descida do que subida”, explicou-nos Rui Ribeiro. Todas as provas partem em simultâneo.

 

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As inscrições estão aí e começam a 15 euros, mas haverá pacotes promocionais (atualizações em Gerês Marathon). “Convém as pessoas estarem atentas. O que queremos é levar as pessoas ao Gerês e o preço não ser um fator dissuasor”. A única coisa eventualmente dissuasora será mesmo o desnível.

Tentadora, em compensação, é a promessa de paisagens únicas. E essa é precisamente a razão pela qual a prova foi marcada para novembro, apesar de ser muito próxima das duas outras maratonas existentes no país (Lisboa a 5 de Outubro e Porto a 2 de novembro). “A data prende-se com a paleta de cores que temos ali no final do outono. Quinze dias antes ou depois poderíamos não ter aquelas cores. As tonalidades de Outono só se encontram naquela altura e nós, apaixonados pelo Gerês, sabemos que é a altura em que se torna mais impressionante”.

Despreocupados com homologações da Federação Portuguesa de Atletismo, os organizadores lutam por um conceito diferente. De tal forma que nem pensaram, ainda, num tempo limite para se concluir a maratona. Numa prova regular, os 42km têm de ser feitos dentro das seis horas. “Não acredito que haja alguém que não consiga fazer a Maratona do Gerês em oito horas”.

Ivete Carneiro

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