“24 Horas”: Edivaldo Silva explica como gerir corridas longas

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Edivaldo Silva, Ultra Edy, é brasileiro e conta no currículo com dez provas de 24 horas. Sim, dez. Vale de Cambra, no próximo fim de semana, vai ser a 11ª corrida a que este brasileiro se propõe.

As “24 horas a Correr” apareceram-lhe no feed do Facebook há uns meses, estava Edy a lidar com uma lesão que o obrigara a adiar uma prova de sonho de 235 km. Conhecera o mundo da corrida portuguesa há uns anos, numa incursão em Arga, que lhe deixara boas recordações. Resolveu adaptar o treino e alistou-se entre os bravos que, entre o meio dia deste sábado e o meio dia de domingo, vão tentar correr a maior distância possível no período de 24 horas, numa prova inédita que o JN Running explica aqui.

Resolvemos perguntar a Edy como é que se gere uma corrida prolongada. O atleta de Campinas fala das 24 horas, mas as dicas que nos deixa podem muito bem ser aplicadas por quem decidir correr uma das sete provas de três horas que haverá em Vale de Cambra. E três horas é o perfeito treino longo para quem tem uma maratona na mira (e há duas aí ao virar da esquina, em Lisboa e no Porto).

Edy tem 37 anos e corre desde os 14 anos. Diz que se viciou. “O treinador dizia-me para correr uma hora e eu corria duas”. Aos 17 anos, correu 100 km seguidos. Depois fez uma maratona. Desde então dedica-se à corrida de fundo, longa, tranquila, lenta. Nos 24 horas, tem um recorde de 150 km. Diz-nos que é uma prova que tem “70% psicológico e 30% físico”.

A preparação, garante, não tem que ser com treinos gigantes (na perspetiva dele, ora bem). “Rodagens no máximo de 50 ou 60 km” serão suficientes. Adaptando às três horas, quem tenha corrido 20km algumas vezes estará mais do que habilitado. Depois, diz Edy, “tem de se aprender a correr e caminhar, que é o segredo destas provas”. E, claro, treinar a cabeça para habituá-la a “suportar um longo tempo andando”. Outra regra nunca suficientemente repetida é a de poupar o corpo na semana antes da prova, limitando os treinos a joggings muito ligeiros. E alimentar-se bem de hidratos de carbono, para que o corpo não vá rapidamente buscar energia às reservas musculares.

No que toca à gestão do esforço, Edy opta por arrancar devagar, aquecer e depois acelerar um pouco. Há quem srpinte no início e depois estabilize em velocidade de cruzeiro. Correr muito a abrir é que não. “Depois quebra”. Edy também prefere não dormir. Diz que já tentou e acordou mal, travado. Então descansa caminhando, aproveitando para comer e beber, até, sem parar. No máximo, encostará uns 20 minutos, e só depois de passada metade da prova. “Mas há atletas que dormem uma ou duas horinhas e acordam bem”.

O recorde mundial de distância em 24 horas está nos 303,5 km do grego Yiannis Kouros.

Ivete Carneiro

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