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Armando Teixeira segue em 17º nos Alpes

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São 330 km e 50 mil metros de desnível acumulado. O desafio chama-se Tor des Géants, arrancou este domingo de manhã no Vale da Aosta, em Itália, com sete portugueses a tentar concluir a prova. Entre eles, o ultramaratonista maiato Armando Teixeira, cuja evolução estamos a acompanhar, com a ajuda do treinador do atleta, Paulo Pires.

O atleta da Salomon Suunto Portugal fez a primeira parte da prova em 23º lugar, descendo depois para muito perto do 10º posto, antes de optar por descansar quase três horas aos 102 km, em Cogne. Eram 7h35 desta segunda-feira, quase 22 horas  depois da partida de Courmayeur, quando voltou a entrar nos trilhos, em 20º lugar. Por volta das 12 horas, já subira à 16ª posição. Às 15 horas, entrara no Top 10. Esta tarde, Armando estava em 17º. Na imagem, Armando Teixeira captado por Paulo Pires em Valgrisenche.

Entre os restantes portugueses em prova, João Colaço segue à frente, em 14ª posição. Jorge Mimoso surge em 458º, Hélder Martins em 542º.  Joaquim Sampaio teve de abandonar aos 200 km, Pedro Gonçalves parou com uma entorse em Eau Rosseau, na manhã de segunda-feira, à mesma hora que Célia Azenha abandonava em Rhemes.

Porquê o Tor des Géants?

Armando Teixeira precisava de novas aventuras, depois de ter conquistado o 2º lugar na Ronda dels Cims, em Andorra, há dois meses. E preferiu não voltar a tentar o Ultra Trail du Mont Blanc, que “não tem corrido bem”. “O Tor des Géants foi a prova que me veio logo à cabeça”. Falou com o treinador, o professor de educação física Paulo Pires. “Ele aceitou de imediato o desafio proposto, ou seja, iria ser um desafio para ambos”.

A prova cumpre-se a uma altitude média acima dos 2000 metros e passa pelos quatro grandes picos alpinos: Mont Blanc, Grand Paradiso, Monte Rosa e Cervino. O Tor é para ser gerido autonomamente, sem etapas impostas, apenas postos de abastecimento e controlo de 50 em 50 km, fora dos quais os atletas não podem, contudo, receber assistencia. Os corredores têm até sete dias (150 horas) para concluir a volta. O português acredita poder cortar a meta nas 80 (o recorde está em 70h21).

E descansar? “Com a emoção e a adrenalina, descansar vai ser complicado”, disse o atleta ao JN Running, antes de partir. Na prova de Andorra, que concluiu em 31h20, só esteve parado 33 minutos no total. Mas esta tem o dobro da distância e do desnível, o que faz prever dificuldades muito acrescidas. Às 24 horas de prova, descansou já perto de três. “Existem inúmeras dificuldades: não ter feito o reconhecimento, não ter aclimatado, a distância, como reagirá o corpo à privação do sono, no mínimo serão três noites em prova, algumas zonas do percurso são muito expostas, terrenos hiper técnicos, a neve, o frio e o gelo serão uma realidade”.

Armando Teixeira confessava a expectativa. “É uma incógnita, há muitas variáveis em jogo, uma indisposição pode afetar muito a evolução e eu sou dado a problemas gástricos. Uma queda, ou uma simples bolha pode pôr tudo em causa”. Há três anos que ouvira falar da prova e nunca mais deixou de acompanhá-la. “Nunca pensei que teria capacidade para fazê-la”, até porque o máximo que correu seguido foram 184 km.

E admite que a sua preparação não é a dos atletas internacionais. Trabalhador na Efacec, treina relativamente pouco, 11 a 12 horas por semana, e só consegue pôr desnível nas pernas aos fins de semana, nunca mais de dez mil metros acumulados. Nem treinou a privação do sono. E recorda o bem que se diz do desafio, mas o mal também: no ano passado, o Tor des Géants foi manchado pela morte do atleta chinês Yuan Yang.

A corrida arrancou às 10 horas locais (9 horas em Portugal) de domingo 7, com mais de 600 atletas de 41 países na linha de partida.

Ivete Carneiro

 

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