Volta a Portugal Solidária reuniu 12 mil euros

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O atleta amador João Casal correu 2600 km em 53 dias à volta de Portugal para apoiar instituições de todo o país. Chegou no dia 21 de agosto ao ponto de partida, em Matosinhos.

Eram 20.45 horas quando João parou o relógio, a meio da marginal de Matosinhos, num banho de champanhe, 53 dias depois de dali ter partido em busca da solidariedade alheia. Fechou esta quinta-feira, quase em perfeita forma, uma volta a Portugal a pé. A correr. Para trás, ficaram mais de 2600 quilómetros cumpridos em duas etapas diárias. Ficaram amigos. Ficaram sorrisos. E ficaram algumas desilusões, também.

João Casal, atleta amador, 47 anos e muitos sonhos na mente, queria fazer uma aventura associada à paixão que tem pela corrida, depois de anos a marcar pontos na modalidade de orientação. Pensou a volta ao país. E pensou que seria um esforço tão grande que valeria a pena torná-lo útil para lá da egoísta superação individual. Idealizou a Volta a Portugal Solidária: trocaria merchandising simbólico por doações a associações de todo o tipo das localidades por onde passaria.

Na meta, tinha um dos objetivos cumpridos a 100%: terminou, com vontade de continuar. O outro objetivo – ajudar – também ficou cumprido, mas não totalmente. Antes das duas últimas etapas, que trouxeram o atleta de Esposende a Matosinhos, contara mais de 11.500 euros, parte deles em bens. No final, chegou mesmo aos 12 mil. Entregou-os a bombeiros, à Cruz Vermelha, a associações de apoio a deficientes, a crianças doentes.

“Não estamos a falar de uma maratona, estamos a falar de 2600 km. Para o esforço que é, acho que o valor fica muito aquém…”, diz, entre um sorriso e uma lágrima, que atribuirá à tensão acumulada, às demasiadas noites dormidas no chão, ainda que debaixo de tetos solidários de bombeiros, às vezes em que ouviu dizerem-lhe que queria era “meter dinheiro ao bolso”, àquelas em que as autarquias o ignoraram e onde não pode pôr o esforço ao serviço de ninguém.

Mas nunca às dores. João lembra algumas tendinites, pouco mais. “Houve momentos muito gratificantes…” Emociona-se e cala-se. Demora a compor-se. Quando falamos com ele, faltavam 24 km para o fim. “Nem acredito”. Só tem fé na bondade do projeto. “Tem muito para dar. Posso fazê-lo todos os anos desde que tenha apoios. Agora com as condições que tive este ano é praticamente impossível…”

A volta em números

João Casal, ex-bancário e atual comercial por conta própria, treinou onze meses sem deixar totalmente de trabalhar. Ultrapassou os 2600 km na volta, que soma aos mais de 10 000 de treinos, que lhe gastaram 13 pares de sapatilhas.

Ivete Carneiro

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