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Óbidos de noite é… escuro

O Trail Noturno da Lagoa de Óbidos juntou cerca de 800 atletas para duas provas no passado dia 2 de agosto, num dia invernoso de verão. Choveu quase sempre, houve muito quem se perdesse, enquanto Ester Alves e Nuno Silva subiam ao pódio da porva de 51 km, cabendo a Diogo Fernandes e Patrícia Carreira os primeiros lugares da corrida de 26 km. Fica a ideia do pouco que se vê, pela lente de João Correia, e do que se pode sentir, numa crónica de Ivete Carneiro.

“As contraturas amainaram, o sono recuperou o equilíbrio, os ombros relaxaram. Três dias (noites) depois, Óbidos já não dói. Três dias depois, Óbidos é uma boa recordação. Tantas vezes disse à minha alma naquele breu que uma míope ir assim à luta na escuridão não era bom de ver. Tantas vezes te disse que não repetiria, que a vista não merecia o desvio, ora bem, dez centímetros de um halo moribundo são tão belos da minha almofada quanto de um trilho chuvoso. Depois disse-te, olha a lagoa, finalmente um horizonte, Óbidos e o castelo ali, naquele mar chão por ser mar velho. Vamos gozá-la. E meter uma bucha, agora que a hiperventilação ficou lá longe. E comemos, e batemos palmas aos primeiros do grupo dos insanos, que nós somos só loucos, azimute nos holofotes lá em cima. E depois disse-te, quando nos perdemos depois de cruzar o Jorge Serrazina de refletores em punho, fomos atrás de muitos, disse-te: merda. Disse pior, somos do Porto. Disse até coisas bem feias. Mas lá continuámos, desmotivadas pela meia hora acrescida, pelas pernas cansadas. Por nos sentirmos, eu e elas, as pernas, umas fracas. E depois foi o charco e aquele sobe e desce feio. E depois passou a Ester e gritámos a força que nos faltava a nós. E seguimos. E houve alcatrão, que paz, e o mato sujo e as escadas e isto não acaba? E finalmente apareceu o barco. Foi ali a nossa meta. Um baloiço para outras idades. Fomos. E rimos. E, aí, fui feliz. Aí, a única coisa que me sobra dizer-te é obrigada. São quase três da manhã, já choveu, estamos enlameadas, eu estou exausta e tu sorris. Restou fingir que corria, vestida de donzela a entrar no castelo. Obrigada por estares comigo nesta viagem medieval, Marta…”

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