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As provas mais duras do planeta

Há maratonas. E depois há os desafios loucos, que incluem (e até podem juntar) desníveis loucos, temperaturas extremas, para cima e para baixo, humidades insuportáveis, vida selvagem, ventos ciclónicos, altitudes e dificuldades várias. Apresentamos aqui algumas, usando o ranking de dureza elaborado pela Men’s Fitness, que coloca a Maratona de Nova Iorque num tímido 5, numa tabela de 1 a 10.

 

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Pikes Peak Marathon – Colorado Springs, EUA
São os mesmos 42,195 km de qualquer maratona, mas, quase diríamos, na vertical. Acontece nos Pike Peaks, junto a Colorado Springs, nos Estados Unidos, a 17 de agosto, e chamam-lhe o derradeiro desafio da América: depois de uma tradicional partida de estrada, os primeiros 16 km sobem 1800 metros, pondo à prova a resistência até um pico onde pode… trovejar ou nevar, sem aviso prévio. Os 5 km seguintes ascendem mais 600 metros, conquistados à força de braços. Isso. Uma parede, até aos 4300 metros de altitude. Que é preciso descer, até lá abaixo, de novo. Na página oficial da prova, uma graçola: “Há uma razão para as árvores não se preocuparem em crescerem acima dos 3600 metros nos Pikes Peak. Não conseguem! Leva-nos a questionar se as árvores são mais inteligentes do que os corredores…” A inscrição é das mais baratas, à volta de 100 euros. E se mais fosse preciso para tornar esta estopada famosa, informa-se que a  Pikes Peak Marathon é a terceira maratona mais antiga dos EUA e foi, na verdade, a primeira alguma vez terminada por  uma mulher. Arlene Pieper conseguiu cumpri-la em 1959, sete anos antes de Roberta Gibb ter entrado à socapa na Maratona de Boston.
Dureza: 7

 

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Antarctic Ice Marathon – Polo Sul
Há o sul. E depois há o que fica a sul do sul: a Antárctica. A dois mil quilómetros da corrida mais próxima, que acontece nas Ilhas Shetland do Sul, decorre, em Novembro, a Antarctic Ice Marathon, algumas centenas de quilómetros acima do Polo Sul, na base dos Montes Ellsworth. Traduzido por números, dá uma temperatura média de 20 graus negativos, com ventos constantes até 40 km/h. A prova implica uma estadia de cinco dias, para dar ao tempo o tempo de se acalmar o suficiente para permitir a prova. E anda de tudo de tal forma à medida do vento que é de todo impossível prever tempos. Há recordes estabelecidos (3h34m47s para os homens e 4h20m02s para as mulheres) e há, para quem achar que isto é tudo uma ninharia, uma corrida de 100 km. Essa é já em Janeiro. E tudo isto está ao alcance de… 10.800 euros, incluindo o acampamento e a viagem desde Punta Arenas, no Chile.
Dureza: 7

 

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North Pole Marathon – Polo Norte
É a irmã gémea da Antarctic Ice Marathon e, no oposto desta, é a mais a Norte que há. A North Pole Marathon percorre, em abril, as banquisas, placas de gelo flutuantes com uma espessura de 1,8 a 3,6 metros. Por baixo estão 3,6 km de profundidade de oceano Árctico. A cenoura que os organizadores usam para atrair os (ricos) clientes? É a única maratona que não é corrida em terra. E é a maratona mais fria do mundo, que se termina com as pestanas e os pelos do nariz congelados e até conta com tendas aquecidas de cinco em cinco quilómetros para alguma recuperação. Tem um recorde masculino de 3h36m10s e um feminino de 4h52m45s e custa… 11.900 euros, com voo da Svalbard, na Noruega.
Dureza: 8

 

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Jungle Marathon – Floresta Nacional de Tapajos, Amazonas, Brasil
Logo a abrir, note-se que este foi classificada pela CNN como “o mais duro desafio de resistência”. A Jungle Marathon acontece, como o nome indica, na selva. E não em qualquer uma: na Floresta Nacional de Tapajos, na Amazónia brasileira. Quer isto dizer que se corre debaixo de temperaturas de 40 graus, em condições de humidade de 99%, muitas vezes na escuridão provocada pela densidade da vegetação. Por charcos com piranhas, raízes com anacondas, plantas nem sempre simpáticas, lama em desníveis e outros tipos de perigos. A dificuldade, quem avisa amigo é, está no terreno, não na distância. É coisa para ser cumprida com abastecimentos às costas em 42 km de uma vez, 127 km em quatro etapas ou 255 km em seis etapas, com dormidas em tendas no isolamento da selva e da insanidade que leva alguém a meter-se em semelhante. Está marcada para o início de Outubro, por uma pechincha: 2500 euros! E este ano contará com um participante português, o ultramaratonista Carlos Sá.
Dureza: 8

 

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Comrades Marathon – África do Sul
Comrades Marathon é uma corrida de estrada que, dependendo do ano, pode ser de loucos. Pela distância, para começar: 89 km a percorrer em 12 horas. Quem chegar aos controlos intermédios com demasiado tempo em prova é recolhido. Ponto final. Depois, pela elevação: não tendo os desníveis das provas de montanha, falta-lhe também os momentos mais calmos, de descanso, sobretudo depois de uma autêntica parede com 500 metros de desnível ao cabo de 20 km, nos anos duros. Ou seja, nos anos em que arranca em Durban, na costa leste da África do Sul, para terminar em Pietermaritzburg. Uma estafa que acontece em finais de maio ou princípio de junho e que, mau grado a dificuldade, consegue ter qualquer coisa como 12 mil inscritos. O bom de tudo isto? O preço: 130 euros, quase pouco, comparando com as anteriores enormidades…
Dureza: 8

 

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Chasqui Challenge – Peru
O Chasqui Challenge é juntar o difícil ao já exagerado: é um desafio em vários dias, que inclui a Inca Trail Marathon pelo meio. Ou seja, 42 km de uma corrida que parte de Cusco, no Peru, e termina… em Machu Picchu, a que se somam 50 km de trecking em torno do monte Ausangate (com subida aos cinco mil metros) e mais alguns dias de pequenas corridas. Total: 161 km de loucura, a elevada altitude. Mas vamos à maratona propriamente dita: percorre o trilho inca, parte dos 2636 metros de altitude para subir vários cumes, o mais alto dos quais (Dead woman’s pass) chega aos 4215 metros (o segundo sobe aos 3962 metros). No total das várias subidas – muitas delas feitas de milhares de degraus – os intrépidos corredores terão conquistado desnível positivo de 3170 metros. A que se devem somar as descidas (e só quem as faz sabe o que custam depois de tamanhas subidas), 3352 metros. No total, equivale a subir e descer o Empire State Building cinco vezes! Só para dar uma ideia do esforço, demora uma média de dez horas a concluir. Originalidade: atravessa um parque nacional que impede a realização de corridas oficiais, pelo que não há dorsais e são apenas permitidas inscrições até os passes oficiais para o parque esgotarem. E sim, esgotam, com meio ano de antecedência. A prova acontece em Agosto e custa de 2000 a 2750 euros, em função de se querer alinhar apenas na maratona ou ousar o Chasqui Challenge. Inclui transporte desde Lima, alojamentos e alimentação.
Dureza: 9

 

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Badwater – Death Valley, California, USA
Primeira regra a saber: a Badwater é uma corrida em  que só entra por convite e está limitada a 95 atletas, cujos currículos são analisados à lupa – terão de ter percorrido. Segunda coisa a saber: é o inferno. São os 217 km de um percurso considerados o mais duro no seu género, uma auto-estrada que exala temperatura até aos 70 graus (a do ar passa acima dos 50) e que, além de pôr à prova a resistência de quem ousa tomá-la de assalto, é o melhor teste à qualidade das sapatilha. E à capacidade da equipa que tem de acompanhar o atleta. Com um valor de inscrição de 730 euros, arranca em Lone Pine, no Vale da Morte, e termina no monte Whitney, após um total de 5800 metros de subida e 4450 de descida, estando o tempo de prova limitado a 48 horas. O português Carlos Sá foi o vencedor em 2013, com 24h38.
Dureza: 9

 

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Marathon des Sables – Deserto do Sahara, Marrocos
O Discovery Channel classifica a Maratona das Areias como a mais difícil corrida do mundo. Ponto final. São precisas seis etapas para cumprir 250 km de deserto do Sahara em auto-suficiência alimentar e com o material de dormida (é obrigatório carregar o equivalente a 3000 calorias, sob pena de penalização) e a água fornecida pela organização às costas. No pino do sol, podem estar 50 graus, mas de noite a temperatura pode descer à roda de zero graus. Os pés, é garantido, incham para tamanhos inolvidáveis, obrigando a calçado muito largo, adaptado à areia, para não falar de outras obrigatoriedades. E as dormidas são em tendas berberes. Tudo por uma bagatela de 2900 euros.
Dureza: 10

 

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Iditarod Trail Invitational – Alaska
Dois números: 563km. E 1609 km. Exato. A correr. É o Iditarod Trail Invitational, que arranca em Fevereiro/Março de Knik, em Anchorage, no Alaska, e segue o trilho da corrida de trenós com cães. É a mais longa ultramaratona  de inverno e só aceita 50 atletas, que têm de responder a pesadas exigência (como a participação em ultras específicas. Para a prova maior, por exemplo, têm de ter completado a mais curta. Ou então deixar uma caução de 550 euros (além dos 1000 euros da inscrição) que ficarão retidos caso o corredor chegue à conclusão de de ter de pedir ajuda à organização. A rota pode levar mais de um mês a percorrer, estando o recorde fixado em 20 days 14 horas e 45 minutos. Sai de Knik, atravessa o Alaska Range até Mc Grath, onde se encontra a meta da distância curta. Daí segue para Nome. Com uma nota: parte da corrida é por zonas inabitadas e sem zonas de recolha dos abastecimentos que os próprios atletas enviam de posto em posto, obrigando à auto-suficiência por vários dias. E quando há aglomerados, nem sempre há onde comer, pelo que obriga mesmo a prever alimentação suficiente para garantir uma refeição quando chegarem à aldeia que se segue. Há campos de treino para quem não estiver habituado ao “inverno”.
Dureza: 10

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