Americanos descobrem Portugal a correr

A empresa dos EUA RunQuest Travel fez em Portugal o primeiro teste de turismo associado à corrida. O JN cruzou-se com o grupo na zona histórica do Porto.

Quem esteve mais atento deve ter dado por eles: eram uma dezena, falavam inglês e passaram três dias a descobrir o Porto… a correr. O conceito de turismo associado à corrida, sem ser em provas, teve em Portugal um primeiro teste em Junho, com a americana RunQuest Travel. Além de conquistar o granito da Invicta, passaram pela luz da Lisboa dos bairros, pela agrestia do Cabo da Roca e pelo verde do Gerês.

Encontrámos Harvey Lewis a subir e descer os morros do Porto. Tem 38 anos, incontáveis milhares de quilómetros nos pés e um palmarés invejável. Em Julho do ano passado, conheceu o ultramaratonista português Carlos Sá naquela que é considerada a mais dura prova do mundo: a Badwater, no Vale da Morte, na Califórnia. Sá venceu a corrida de 217 quilómetros e 4000 metros de desnível, debaixo de temperaturas rondando os 50 graus. Harvey foi o primeiro americano, quatro na geral. Ficaram amigos. Em Dezembro, Harvey atravessou o Atlântico, deslumbrou-se por Portugal e viu a oportunidade fazer ver crescer o sonho. Criou RunQuest Travel.

“Adoro viajar. Já viajei em 72 países. Adoro a cultura aqui, as pessoas são extremamente amigáveis, é um país muito seguro e tem um charme romântico e história”, justifica o atleta. A ligação com Carlos Sá fez o resto e Harvey Lewis trouxe recentemente o primeiro grupo de gente de todo o lado para férias a correr, ao ritmo de cada um. “Temos sol, praias, natureza, falta potencializar e mostrar isto ao mundo”, explica o atleta portugês.

“A RunQuest Travel dá às pessoas a oportunidade de viajar para sítios extraordinários e experienciar uma corrida diária num país desconhecido”, diz Harvey Lewis. Desde que chegou, encheu a página de Facebook pessoal e a da RunQuest com inspiradoras imagens captadas durante as corridas pelo Porto histórico. Cruzaram todas as escadas e vielas de Massarelos à Sé, da Serra do Pilar às praias, passaram o feriado num treino de 80 quilómetros e prometem regressar todos os anos. Marie Bartoletti, 56 anos, foi uma delas. Tem 283 maratonas corridas. E ficou fascinada com Portugal. “Aqui tudo é bonito”.

A parceria com Carlos Sá, guia oficial da visita a Portugal, deverá resultar numa viagem ao contrário, agarrando esta forma de “descoberta do mundo relacionando turismo e desporto” levando portugueses a conhecer os Estados Unidos a correr.

Ivete Carneiro

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